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Encontro Comemorativo
ILTEC, 20 anos

Tema:

Discurso, Diversidade e Literacia: a língua portuguesa no século XXI

Local:

Fundação Calouste Gulbenkian
(Auditório III)

Data:

30 de Junho e 1 de Julho de 2008

Temáticas


Num momento em que a opinião pública tanto se manifesta sobre aspectos diversos da língua portuguesa e do seu uso, e em que pouco se ouve o que os linguistas têm a dizer sobre estes e outros temas, vimos convidá-lo a partilhar connosco as suas perspectivas, inquietações, perplexidades, esperanças e votos relativamente a estas temáticas.


1.º dia - Contributos da linguística para o uso da língua portuguesa


As línguas, antes de andarem por aí, nas bocas do mundo, estão dentro de nós. É pois de nós que fala ou deve falar o linguista: aquele que tem a humildade de não pensar que sabe tudo.

No mundo de hoje, a imagem que damos de nós é quase tão real como a própria realidade. Por isso, vale a pena aos linguistas lutarem pela sua imagem, devolverem-lhe a beleza original das grandes causas que conduzem à simplicidade da palavra e à dádiva do saber. Fazerem da sua ciência, como dizia Bento de Jesus Caraça “um grande capítulo da vida humana social”.

E a linguística até serve para muita coisa.
Pensemos num problema comum: Ouve-se à boca cheia que os portugueses não sabem, ou, pior, que cada vez sabem menos falar e escrever na sua própria língua, embora passem a vida a fazê-lo. Ouve-se que a escola, hoje em dia, não ensina as pessoas a falarem e a escreverem e que os jovens se encontram mais mal preparados do que antigamente. Ouve-se que a língua portuguesa está em crise, que está a empobrecer. Ouve-se que a língua precisa de ser protegida, que está ser invadida por palavras e formas de dizer estrangeiras que desvirtuam a sua pureza.

Que têm os linguistas a dizer sobre tudo isto? E os não-linguistas? O que têm estes a dizer sobre o que os linguistas dizem, fazem ou não fazem a propósito disto? Será que a conjuntura actual é tão diferente das anteriores que conduz a situações linguísticas nunca antes vividas? O que tem a situação actual de particular? Como é que o linguista pode contribuir para mudar o estado de coisas?


2.º dia - A língua portuguesa no séc. XXI: novos usos


As últimas décadas têm sido de vertiginosa mudança. Palavras e expressões como globalização, glocalização, internet, tecnologias de informação e comunicação, comunicação mediada por computador, sms ou e-mail ganharam estatuto de uso quotidiano. Mas a importância do uso de tais palavras ou expressões está para além da sua vulgarização e decorre dos processos transformacionais que têm vindo a reconfigurar as sociedades humanas. Vivemos, no presente, um momento de transformação tecnológica cujas consequências, em termos linguísticos, apenas são comparáveis à invenção dos sistemas de escrita e à invenção da imprensa.

A reconfiguração das formas textuais tradicionais, por exemplo, consequência da digitalização e informatização da cultura, do uso paralelo e/ou simultâneo não só de diferentes modos de significação, mas também de diferentes meios para a comunicação, mostra-nos quotidianamente que os repertórios de literacia são hoje muito diferentes do que eram há 20 anos.

Que desafios se colocam aos linguistas no momento de transformação em que vivemos? Como encaram e lidam com as transformações que os novos usos da língua provocam na sua aquisição, no seu desenvolvimento e no seu ensino? Como é ser linguista num momento comparável aos da invenção da escrita e da imprensa? Que perguntas se colocam os linguistas a si próprios? Como constroem hoje o seu objecto de estudo? E os não-linguistas? Como encaram todas estas transformações? O que esperam do trabalho dos linguistas?

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