O quadro teórico seguido na descrição dos dados do projeto DEEB é sistémico-funcional, o que equivale a dizer que é de base contextual e discursiva. Na sua génese, e como corpo fundamental de descrição gramatical, estão os pressupostos descritivos contidos nas obras M. A. K. Halliday e de seus seguidores, em particular Halliday, M. A. K. (2004): An Introduction to Functional Grammar. 3rd Ed. revised by C. M. I. M. Matthiessen. London: Arnold. Nesta página, pode encontrar descritos alguns desses pressupostos, como:

A natureza da língua
As metafunções ou funções da linguagem
As funções do sistema
A noção de registo
A noção de género


A natureza da língua

Para a linguística sistémico-funcional, a língua é uma realidade fudamentalmente social realizada na materialidade dos textos. A LSF é um modelo de descrição gramatical que olha para as gramáticas das línguas em termos de uso, assim se distinguindo dos modelos de descrição gramatical dominantes em linguística, mais dados a descrições formais. Enquanto esses modelos se preocupam em estudar o modo como os nosso genes determinam e modelam a estrutura das gramáticas das nossas línguas, e, consequentemente, aquilo que podemos e não podemos dizer, a GSF preocupa-se fundamentalmente com o desenvolvimento dos sistemas gramaticais enquanto meios para as pessoas interagirem umas com as outras.
De facto, para a GSF, a gramática é modelada, constrangida pelo modo como vivemos as nossas vidas, como interagimos com os outros, como refletimos e (re)criamos o sentido da nossa existência, ao mesmo tempo que desempenha um papel significativo, também de constrangimento, em todos esses aspetos e processos. Dito de uma outra forma, a GSF é socialmente orientada e não biologicamente orientada, como a maior parte das gramáticas formais.
  


As metafunções ou funções da linguagem

"Por que é a língua como é? A natureza da língua está intimamente relacionada com as necessidades que lhe impomos, com as funções que deve servir. Nos casos mais concretos, estas funções são específicas de uma cultura; o uso da língua para organizar expedições de pesca nas Ilhas Trobriand, descrito há meio século atrás por Malinowski, não tem paralelo na nossa sociedade. Mas subjacentes a tais instâncias de uso da língua estão funções mais gerais que são comuns a todas as culturas. Nem todos participamos em expedições de pesca; porém, todos nós usamos a língua como um meio de organizarmos outras pessoas e determinarmos os seus comportamentos."
Halliday (1970: 141).

"1. A linguagem tem uma função representacional – usamo-la para codificar a nossa vivência e experiência do mundo; faculta-nos imagens da realidade (física ou mental). Ajuda-nos, portanto, a codificar significados da nossa experiência, isto é, a codificar significados ideacionais (FUNÇÃO IDEACIONAL).
2. A linguagem tem uma função interpessoal – usamo-la para codificar interação e mostrarmos quão defensáveis achamos as nossas posições, os nossos enunciados. Ajuda-nos, portanto, a codificar significados de atitudes, interação e relações sociais, isto é, significados interpessoais (FUNÇÃO INTERPESSOAL).
3. A linguagem tem uma função textual – usamo-la para organizarmos os nossos significados ideacionais e interpessoais num todo linear e coerente. Permite-nos, portanto, codificar significados de desenvolvimento textual e organização retórica, isto é, significados textuais (FUNÇÃO TEXTUAL)."
                                                                                Butt, Fahey, Feez, Spinks & Yallop (2000: 39)


As funções do sistema
Em construção

A noção de registo
Em construção 

A noção de género

Em construção


Referências
  • Butt, D., Fahey, R., Feez, S., Spinks, S. & Yallop, C. (2000): Using functional grammar: an explorer’s guide. 2a. ed. Sidney: National Centre for English Teaching and Research, Macquarie University.
  • Halliday M. A. K. (1970): Language structure and language function. In Lyons, J. (ed.): New horizons in linguistics. Harmondsworth: Penguin Books, pp. 140-164.