77º Encontro

A ordenação de constituintes oracionais na lusofonia


Erotilde Goreti Pezatti (UNESP-São José do Rio Preto,Brasil)

Tomando como aparato teórico a Gramática Discursivo-Funcional, desenvolvida por Hengeveld e Mackenzie (2008), o projecto parte da hipótese de que, em português, há uma nítida separação entre a ordenação dos constituintes hierárquicos (modificadores e operadores) e a dos constituintes configuracionais (predicação nuclear): a ordenação hierárquica é centrípeta, começando pelas margens da Oração, já a ordenação configuracional é centrífuga, iniciando pelo predicado; a hipótese secundária é a de que, se há diversidade entre as variedades, ela reside na ordenação dos constituintes não-argumentais, ou seja, modificadores e constituintes extraoracionais. O objetivo consiste em investigar os princípios que norteiam a ordenação desses constituintes na modalidade falada das variedades portuguesas, visando a caracterizar tão amplamente quanto possível a unidade e a diversidade lusófona. Para tanto, tomam-se como universo de pesquisa ocorrências reais de uso extraídas do corpus oral organizado pelo CLUL, em parceria com a Universidade de Toulouse-le-Mirail e a Universidade de Provença-Aix-Marselha, do qual selecionaram-se as amostragens referentes às variedades que constituem língua oficial do país, ou seja, a brasileira, a portuguesa, as africanas (de São Tomé e Príncipe, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique) e a timorense. Os resultados até agora obtidos na investigação dos constituintes não hierárquicos nas variedades européia e brasileira mostram que a diferença entre elas reside não exatamente na ordenação dos constituintes configuracionais, que define um esquema verbo-medial, mas principalmente na ordenação de constituintes hierarquicamente organizados e constituintes extraoracionais. Quanto à posição que os constituintes hierárquicos de cada nível e camada podem ocupar nas sentenças das variedades do português, os resultados obtidos até o momento indicam que cada tipo de constituinte tem preferência por determinada posição, à direta ou à esquerda do predicado, e que essa escolha pode diferir de uma variedade para outra.