Bancos e cadeiras
Era uma vez um homem que fazia bancos. Aprendeu em pequeno
a arte de fazer bancos e, como era rápido e vendia
a mercadoria com facilidade, nunca quis fazer outra coisa.
Ao lado da oficina do homem que fabricava bancos, instalou-se
um outro artesão. Mas este só fabricava
cadeiras.
Os clientes começaram a dividir-se. Alguns continuavam
a comprar bancos, que eram mais baratos, mas outros preferiam
comprar cadeiras, um pouco mais caras, mas mais cómodas.
O homem que fazia bancos enervou-se. Para poder vender
bem o produto do seu trabalho, baixou para metade o preço
dos bancos. Os bancos continuavam do mesmo tamanho, o
preço é que era mais baixo.
O concorrente ao lado fez o mesmo. Uma cadeira passou
a ser tão barata que até dava vontade de
rir.
Aproveitando a baixa de preços, cada vez iam mais
clientes às oficinas.
Mas aquilo era um disparate, tanto maior quanto, descendo
os preços, de dia para dia, chegou uma altura em
que os bancos e as cadeiras eram dados.
Os dois artesãos fartavam-se de trabalhar, noite
e dia, para responder aos pedidos. Arruinavam-se.
Isto mesmo lhes disse um amigo de ambos.
- Por que é que vocês não se juntam
e formam uma sociedade que venda cadeiras e bancos, ao
mesmo tempo e por um preço razoável?
A princípio, eles não queriam. Estavam habituados
a trabalhar sozinhos e cada qual tinha as suas razões
de queixa do outro. Mas conformaram-se, a ver no que dava.
Deu certo. A Sociedade Banco & Cadeira, formada pelos
dois antigos rivais, agora amigos, vai de vento em popa.
Adaptação
do texto de António Torrado,
recolhido em: http://www.historiadodia.pt/pt/index.aspx,
história de 3 de Maio de 2006 |